Abriu a porta, sentindo um leve medo formigar no estômago. Viu Azael no final do corredor, balançando hipnoticamente seu rabo de um lado para o outro. Fechou a porta o mais rápido possível, torcendo para que ele não tivesse ouvido. Teria que esperar ele ir para outro canto se quisesse ir até o quarto da Linna. Aquele gato seguia as ordens do seu pai cegamente, ajudando a disciplinar seus filhos. Ele provavelmente não sairia dali tão cedo. Voltou para sua cama, esperando mais. Tinha prometido a sua irmã que iria visitá-la essa noite.
Meia hora mais tarde, resolveu checar se ele já tinha ido embora, possibilitando sua passagem pelo corredor no meio da noite. Abriu a porta lentamente, olhando para os dois lados. Sorriu ao ver que ele não estava mais lá e saiu do seu quarto, tentando não fazer barulho nenhum. Andou pelos corredores iluminados somente por uma fantasmagórica luz azul vinda de um lugar longe das vistas de todos que passavam por ali. O ruim de andar pela casa a noite era que qualquer barulho que fizesse ecoaria pelos salões como um alto estrondo. Durante o dia a casa também era extremamente silenciosa, mas o medo de chamar atenção não era tanto. É proibido andar pelos corredores de noite, papai não gosta. E, como papai não gosta, Azael vigia para que ninguém o desobedeça.
Bateu nervosamente na porta do quarto da sua irmã, olhando nervosamente para os lados. Tomou um susto ao ser puxado para dentro por ela, pensando por um momento que poderia ter sido descoberto. Viu-a fechando a porta o mais rápido possível, sorrindo ao olhar para seu rosto.
- Lúcifer, que bom que conseguiu chegar aqui. Por um momento fiquei preocupada, você demorou! – Falou Linna, sussurrando para que ninguém fora do quarto ouvisse.
- Desculpe, Azael estava perto do meu quarto, então eu tive que esperar ele ir embora. Estou ferrado se ele me descobrir, sabe disso.
- Eu sei, eu sei. Aquele gato me dá medo, tenho medo do que ele possa fazer com você.
- Não, Linna. Não se preocupe comigo. Tenho medo do que ele possa fazer com você. Ele já descobriu sobre os nossos encontros, não sei como ele vai agir. Provavelmente vai contar para papai primeiro. E papai não vai gostar de saber disso... Sermos amigos atrapalha aquele treinamento dele.
- Ah, não... Você é meu irmão, Lúcifer! Eu tenho o direito de te ver.
- Não de acordo com as regras dele, Linna. Papai é diferente do resto dos papais, ele gosta de nos ver sofrer.
Abraçou-a, sabendo que ela tinha ficado triste demais com isso. Mas infelizmente era necessário. Não sabia o que papai poderia fazer com os dois se Azael lhe informasse de sua amizade com ela. Ele com certeza iria lhe botar de castigo por muito tempo, mas nunca tinha visto Linna de castigo. Mamãe a protegia da raiva dele. Impedia que ela fosse afetada com a raiva do seu pai. Por isso que Linna era diferente dos outros, por isso que ela era tão gentil, tão carinhosa... Deu um beijo em sua testa, afastando-se.
- Vou ter que ir agora. E, para seu bem, não poderei mais voltar.
- Tudo bem, Lúcifer. Eu entendo. Espero te ver logo...
- Também espero isso. Vou sentir sua falta.
Deu um último abraço nela, abrindo a porta lentamente. Olhou para o corredor vazio e saiu do quarto da sua irmã, indo rapidamente em direção ao seu.
Acordou cedo no dia seguinte com um grito da sua mãe. Pulou para fora da sua cama e vestiu-se o mais rápido possível, indo até onde tinha ouvido o barulho. Arregalou os olhos ao olhar para dentro do quarto de Linna. Ela estava morta. Tinha sangue cobrindo as paredes e seu corpo estava estirado no chão, com uma expressão congelada de surpresa em seu rosto.
Ela estava morta. Olhou para os lados, vendo Azael observando-o no final do corredor. Seu olhar encontrou com os olhos amarelos brilhantes do enorme gato negro, sabendo na hora quem tinha matado sua irmã. Azael tinha tomado sua forma humana e assassinado ela para que isso não interferisse em seu treinamento para ser alguém forte. O problema era que ninguém mais sabia disso, pensavam que algum inimigo tinha matado ela como forma de se vingar de Terror, seu pai. E não importava quantas vezes dissesse quem tinha feito isso, ninguém nunca iria acreditar nele.
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Na minha imaginação, isso soou melhor. Não gostei do resultado.