terça-feira, 21 de setembro de 2010

Mais um entre tantos clones

Todas as paredes do castelo pareciam verter-se para um único ponto invisível no teto alto, fazendo o possível para se encurvar ao máximo. Tinha a impressão de que algo ali estava muito errado. Tudo parecia estranhamente fora do lugar, apesar de que, por mais que olhasse, não encontrava nada errado. O lugar exalava normalidade, apesar de ser o mais estranho de que tivera notícia. Passou por um amplo corredor, subindo lentamente por uma escada em espiral. Ali o lembrava uma cobra adormecida, pelo modo que se enrolava infinitamente acima de sua cabeça. Imaginou, com um pingo de curiosidade, para onde iria dar. Talvez em um lugar maravilhoso, ou junto com fantasmas estranhos que lhe causarão pavor. Queria saber, mas nunca chegava ao fim daquele caracol gigantesco.

Até que o chão sumiu debaixo dos seus pés.

Caiu em um abismo escuro, com um ar viciado e sufocante, um ar com gosto de medo. Aterrissou em um chão fofinho de um quarto com as paredes alcochoadas. Uma pergunta insistente martelava em sua cabeça, mas ele não achava a resposta.

"Você está na solitária de um hospício, senhor."

Virou a cabeça, procurando a fonte de tal voz. Pousou seu olhar em uma criaturinha com um olhar feliz, que batia suas asas freneticamente no ar. Parecia-lhe um tipo de dragãozinho, uma gárgula talvez. Mas não perguntou, talvez fosse muita ignorância de sua parte não saber o que era isso. Aproximou-se dele, olhando o brilho de sua pele arroxeada com fascinação. Aquilo lhe lembrava algum tipo de jóia rara, igualmente com os olhos verde-esmeralda da criaturinha adorável.

"Oh, que falta de educação a minha! Olá, Stephen. Meu nome é Jimmy. Venha comigo, irei lhe mostrar algo."

Cumprimentou Jimmy com um pequeno aceno da cabeça e um sorrisinho no rosto e o seguiu para fora do quarto abafado. Foi atrás dele, pedindo-o para que parasse de correr, suas pernas não aguentavam mais o esforço, elas pareciam ser feitas de pedra. Viu a pequena criatura dobrar em um corredor e foi atrás dela, assustando-se ao ver que tinha parado na porta de um labirinto de aço.

Entrou no lugar, hesitante. Gritou por Jimmy várias vezes, sem obter respostas. Dobrou, indo pelo corredor da direita. Ficou de quatro no chão quando sentiu que o teto estava abaixando cada vez mais, passando pela passagem estreita. Desde quando ali tinha um teto mesmo? Não se lembrava. Caiu em um lago profundo, onde não podia ver até que profundidade a água ia. Nadou até uma ilha que parecia ser bem próxima, mas não conseguiu chegar lá. Um enorme peixe, dez vezes maior que ele, o engoliu sem hesitar nem por um segundo. Tentou gritar para o peixe para cuspir ele, porque não era comida. Mas ele não o ouviu... Chegou ao seu estômago, sentindo o ácido gástrico começar a corroer seus ossos. Mas não era uma dor boa, aquilo não lhe causava prazer como normalmente causaria. Fechou os olhos, sentindo-se estranho. Parecia estar caindo novamente.

Aterrissou pesadamente no chão, abrindo os olhos. Foi somente um sonho. Olhou em volta ao ouvir uma risada abafada, pousando seu olhar em... Qual era o nome dele mesmo? Ah, sim. Andie. Olhou para ele, com um pequeno sorriso envergonhado.

“Sonhando?”

Acenou com a cabeça, ouvindo outra risadinha dele. Andie parecia ser alguém divertido... Era uma pena que só ficaria uma noite com ele. Como todos os outros. Levantou-se do chão e sentou-se na cama, passando a mão pelo seu cabelo, retirando-o do rosto sem olhar para Andie. Não queria olhar para ele novamente, sabia que iria sentir saudades dele, do seu jeito.

“Stephen, será que você...”

Levantou o rosto, olhando para ele com certa expectativa. Será que dessa vez iria ter algo além da única noite? Esperava que sim, fazia muito tempo que não ficava com alguém só por ficar. Mas não tinha culpa. Aquele trabalho virou um vício. As pessoas lhe machucavam mais assim, lhe causavam mais prazer. E com ele, foi inebriante.

“Nada não, deixa para lá. Quanto que eu lhe devo mesmo?”

Suspirou, levantando-se da cama macia do quarto dele, era uma casa confortável. Vestiu-se, falando para ele seu preço novamente. Olhou pela janela, desejando estar logo em casa para tirar o sangue do seu corpo. Ele conseguiu abrir todos os seus cortes... Mas aquilo não importava. Mais uma vez, foi somente uma noite sem importância. Como todas as outras.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Visitante?

Em uma galáxia longe de tudo, no interior do universo, tem um planetinha antipático, antiquado, chato. Nesse planetinha sem graça, existem vários seres estranhos. O ser predominante exibe sua pele lisa, sem pelos para proteger ela como se fosse algo bom. Se um dessa espécie tem mais pelos que os outros, as fêmeas não gostam. As mães desses seres obrigam seus filhos a irem para um lugar onde a maioria odeia, para aprender como o planetinha imbecil deles funciona e como funcionou nos nos mínimos detalhes, desde a sua criação e até mesmo como ele poderia ser no futuro. Quando eles adoecem, suas mães os levam para outro lugar, onde outro ser da mesma espécie pega uma ferramenta com a ponta brilhante e enfia em sua pele, misturando uma substância, desconhecida para a maioria deles, em seu sangue. Dizem que isso o faz melhorar, eu não fiquei para ver. Os gritos de dor das pequenas criaturas enchiam meus ouvidos. Parecia uma tortura ir para lá. Os pequenos esperneavam, imploravam para sua mãe para ir embora. Mas ela parecia não entender o que ele falava. Ou entendia, mas não queria tirar ele dali. Queria ouvir seus gritos como uma boa fêmea sádica faria.

Quando esses pequenos crescem, eles tentam encontrar mais coisas para fazer, já que já sabem tudo sobre o lugarzinho sujo onde vivem. Eles vão para outros lugares, fazendo coisas que basicamente só serão úteis para a vidinha deles para arrumar uma fêmea para procriar. Quando eles vão para esses lugares e fazem essas coisas, eles ganham o direito de ir para partes do seu planetinha onde eles podem pegar coisas que julgam ser úteis para sua vida. Observando mais esses seres, percebe-se que eles cobrem seu corpo com coisas que não sei o que são. Eles o cobrem como se tivesse vergonha de como nasceram. Ornamentam seu corpo com mais objetos, deixando-os espalhafatosos, diferentes do original. Passam até mesmo algum tipo de tinta no rosto, porque julgam ficar melhores assim. Imagino o motivo deles fazerem isso. Talvez estejam tentando parecer de outra espécie, para que predadores não rasguem sua carne frágil e desgastada com a própria sujeira. Eles se acham as criaturas mais racionais e limpas do planetinha deles, mas estão é acabando com o próprio habitat. Não com seu planetinha sem graça, eles sujam o lugar onde vivem, obrigando seu planetinha a mudar. E isso só piora para o lado deles. Ainda o chamam de criaturas racionais que sabem o que estão fazendo.
Depois de muito tempo de pesquisa, descobri que o nome dessas criaturas estranhas nesse planetinha sem graça em um canto abandonado do universo. Eles se autodenominam humanos.

Tenho medo de visitar esse planeta, medo do que as fêmeas sádicas e os machos brutalhões fariam comigo. Pelo visto, eles são curiosos demais e ainda destroem tudo o que tocam. Não, melhor não. Deixarei essa visita para depois.